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26 Novembro 2018
Aventura-te Cabo Verde
Uma experiência em Cabo Verde: Parte II

Lembras-te do testemunho de Catarina Anjos sobre a sua experiência em Cabo Verde? A história ficou a meio, mas hoje vais ficar a saber o resto! Vamos lá?

Aos fins-de-semana costumamos ir para a capital ter com os restantes voluntários portugueses para poder ir à praia de mar, como eles lhe chamam. E para isto? Passar por uma das maiores aventuras desta ilha – uma viagem de Hiace. Um Hiace é uma carrinha de 9 lugares da Toyota em que se entram mais que 9 pessoas, os polícias passam uma multa gigante, pelo menos em Portugal. Aqui? Aqui vão 18 no mínimo, sendo que o máximo que já vi foi na minha primeira viagem, tinha 23 pessoas lá dentro. Mas como é que isso é possível? Perguntam vocês. Muito simples, as crianças vão ao colo, conheçam os adultos ou não, e os lugares onde é suposto irem 3, bem apertadinhos dá muito bem para irem 4.

No primeiro fim-de-semana fomos a Pedra Badejo. Aqui fiz uma patrulha de tartarugas pela primeira vez, elas são enormes! E põem cerca de 70 ovos durante a noite. Depois dormi numa cabana na praia e acordei assim, com os raios do nascer do sol a entrar pelas palhas, deitada sob a areia preta e o mar muito azul lá ao fundo. Passámos o dia nessa praia e apareceu uma criança a pedir comida durante a manhã. Demos-lhe uma bolacha e ela foi-se embora. Cerca de 15 minutos depois, 10 crianças a mais apareceram a pedir comida também. Elas só falavam crioulo, mas descobri que não precisamos de falar a mesma língua para fazer amigos, basta uns sorrisos, um jogo de futebol, umas idas à água e já está.

No fim-de-semana a seguir fomos ao Tarrafal. Tarrafal não, paraíso! A água é super clara, a areia tão fina e ao invés das famosas bolas de Berlim, temos água de coco para beber! Sabi di más! E para acabar o dia? Fazer mergulho pela primeira vez. A vida debaixo de água é só uma das coisas mais lindas que eu já vi, os peixinhos eram todos tão coloridos e foi uma das melhores sensações de calma e paz que já tive na vida. No entanto, a minha primeira peripécia desta aventura aconteceu. Fui para um sítio com algumas correntes e um ouriço do mar picou-me. Tive sorte porque não era venenoso, mas tirar os picos todos da minha mão não foi tarefa fácil. Sim, porque aqui é algo normal, tiras com uma agulha os mais fáceis e depois é só ir pondo a mão em água quente para os restantes saírem. Não se preocupem porque parece mais doloroso do que é.

E para terminar a minha partilha de melhores experiências nesta ilha fantástica, fui à Cidade Velha. Fiz uma grande amiga! Já disse à minha mãe que não quero mais um cão, mas sim um macaco. A Mila era tão fofinha! Eu dei-lhe um dedo e ela trepou-me e ali ficou no meu colo a receber festinhas durante algum tempo. Agora percebo porque é que eles aqui têm macacos como animais de estimação. Depois fomos almoçar a um restaurante na praia que se fosse em Portugal era 20€ o prato, mas aqui não, aqui são apenas 2,50€ e como muito mais com uma vista e um ambiente muito mais agradável. Está bem, claro que o tempo de espera já era diferente do meu país. Se demorasse também 2h a chegar o prato, já tinha pedido o livro de reclamações, mas aqui é normal, é morabeza como eles dizem. Morabeza significa sem stress, não te preocupes que vai correr tudo bem. Sim porque tínhamos ainda 30 minutos pela frente até à piscina natural do hotel que queríamos ir, o Hotel Vulcão. Ou achávamos nós que tínhamos que andar, porque nunca nos ocorreu que fôssemos de boleia numa carrinha de caixa aberta até lá! Foi um final de tarde espetacular e ainda conhecemos o cantor do momento, o Apollo G.

Agora pergunto-me, como assim já passaram 3 semanas e já vivi tanto? Só sei que apenas o pensar que daqui a 3 semanas estou em Portugal deixa-me triste. Não quero deixar nenhuma destas crianças, quero receber abraços e beijinhos todos os dias, quero comer cachupa todas as semanas, quero visitar mais sítios incríveis, quero fazer ainda mais amigos do que aqueles que já fiz, quero acordar todos os dias às 7h da manhã e chegar a casa cansadíssima mas feliz porque sei que o dia valeu a pena. Quero ter uma vida morabeza para sempre.

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26 Novembro 2018
Aventura-te Cabo Verde
Uma Experiência em Cabo Verde: Parte II

Ainda te lembras da aventura de Catarina Anjos em Cabo Verde? Ficaste ansioso para saber a segunda parte? Vamos contar-te o resto da história agora mesmo!

Aos fins-de-semana costumamos ir para a capital ter com os restantes voluntários portugueses para poder ir à praia de mar, como eles lhe chamam. E para isto? Passar por uma das maiores aventuras desta ilha – uma viagem de Hiace. Um Hiace é uma carrinha de 9 lugares da Toyota em que se entram mais que 9 pessoas, os polícias passam uma multa gigante, pelo menos em Portugal. Aqui? Aqui vão 18 no mínimo, sendo que o máximo que já vi foi na minha primeira viagem, tinha 23 pessoas lá dentro. Mas como é que isso é possível? Perguntam vocês. Muito simples, as crianças vão ao colo, conheçam os adultos ou não, e os lugares onde é suposto irem 3, bem apertadinhos dá muito bem para irem 4.

No primeiro fim-de-semana fomos a Pedra Badejo. Aqui fiz uma patrulha de tartarugas pela primeira vez, elas são enormes! E põem cerca de 70 ovos durante a noite. Depois dormi numa cabana na praia e acordei assim, com os raios do nascer do sol a entrar pelas palhas, deitada sob a areia preta e o mar muito azul lá ao fundo. Passámos o dia nessa praia e apareceu uma criança a pedir comida durante a manhã. Demos-lhe uma bolacha e ela foi-se embora. Cerca de 15 minutos depois, 10 crianças a mais apareceram a pedir comida também. Elas só falavam crioulo, mas descobri que não precisamos de falar a mesma língua para fazer amigos, basta uns sorrisos, um jogo de futebol, umas idas à água e já está.

No fim-de-semana a seguir fomos ao Tarrafal. Tarrafal não, paraíso! A água é super clara, a areia tão fina e ao invés das famosas bolas de Berlim, temos água de coco para beber! Sabi di más! E para acabar o dia? Fazer mergulho pela primeira vez. A vida debaixo de água é só uma das coisas mais lindas que eu já vi, os peixinhos eram todos tão coloridos e foi uma das melhores sensações de calma e paz que já tive na vida. No entanto, a minha primeira peripécia desta aventura aconteceu. Fui para um sítio com algumas correntes e um ouriço do mar picou-me. Tive sorte porque não era venenoso, mas tirar os picos todos da minha mão não foi tarefa fácil. Sim, porque aqui é algo normal, tiras com uma agulha os mais fáceis e depois é só ir pondo a mão em água quente para os restantes saírem. Não se preocupem porque parece mais doloroso do que é.

E para terminar a minha partilha de melhores experiências nesta ilha fantástica, fui à Cidade Velha. Fiz uma grande amiga! Já disse à minha mãe que não quero mais um cão, mas sim um macaco. A Mila era tão fofinha! Eu dei-lhe um dedo e ela trepou-me e ali ficou no meu colo a receber festinhas durante algum tempo. Agora percebo porque é que eles aqui têm macacos como animais de estimação. Depois fomos almoçar a um restaurante na praia que se fosse em Portugal era 20€ o prato, mas aqui não, aqui são apenas 2,50€ e como muito mais com uma vista e um ambiente muito mais agradável. Está bem, claro que o tempo de espera já era diferente do meu país. Se demorasse também 2h a chegar o prato, já tinha pedido o livro de reclamações, mas aqui é normal, é morabeza como eles dizem. Morabeza significa sem stress, não te preocupes que vai correr tudo bem. Sim porque tínhamos ainda 30 minutos pela frente até à piscina natural do hotel que queríamos ir, o Hotel Vulcão. Ou achávamos nós que tínhamos que andar, porque nunca nos ocorreu que fôssemos de boleia numa carrinha de caixa aberta até lá! Foi um final de tarde espetacular e ainda conhecemos o cantor do momento, o Apollo G.

Agora pergunto-me, como assim já passaram 3 semanas e já vivi tanto? Só sei que apenas o pensar que daqui a 3 semanas estou em Portugal deixa-me triste. Não quero deixar nenhuma destas crianças, quero receber abraços e beijinhos todos os dias, quero comer cachupa todas as semanas, quero visitar mais sítios incríveis, quero fazer ainda mais amigos do que aqueles que já fiz, quero acordar todos os dias às 7h da manhã e chegar a casa cansadíssima mas feliz porque sei que o dia valeu a pena. Quero ter uma vida morabeza para sempre.

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7 Novembro 2018
Aventura-te Cabo Verde
Uma experiência em Cabo Verde

A Catarina Anjos, em parceria com a AIESEC, partiu numa aventura de voluntariado em Cabo Verde e contou toda a sua experiência para o nosso blogue. No artigo de hoje, vais poder descobrir a primeira parte do seu testemunho. Queres saber tudo sobre a sua viagem? Continua a ler!

“Como está a correr a experiência que está a mudar completamente a minha vida? Que pergunta tão ambígua para escrever numa dúzia de linhas. Acho que vou começar pelo início.

Aterrei na Praia, em Cabo Verde e as minhas primeiras impressões foram: Porque é que estamos a ir cinco pessoas num táxi, sendo que todos temos malas de bagagem gigantes em cima de nós? Porque é que este táxi não tem cintos de segurança? Porque é que os semáforos vermelhos são verdes? Porque é que está uma vaca no meio de uma rotunda? Porque é que não há sinais de trânsito? Porque é que não há limites de velocidade? Pronto, já parei, mas podia continuar aqui durante horas a perguntar porque é que existem tantas coisas neste país que não fazem sentido.

Primeiro dia em Cabo Verde, primeira vez que dormi com mais 14 pessoas numa casa equipada para apenas duas. Mas isso era o menos preocupante para o que vinha a seguir. No dia seguinte, fomos para a Assomada, a “cidade” onde ia de facto trabalhar com o meu namorado, mais precisamente, no Liceu Amílcar Cabral. Pagámos apenas 5€ de táxi por uma viagem de uma hora e meia. Vou passar a reclamar quando me pedirem mais que isso só para ir do Cais do Sodré até minha casa. Mas confesso que mal cheguei a esta cidade, senti muito medo. Eu era diferente, era como uma estrela, porque todos olhavam para mim, como se eu fosse do outro mundo. Muito depressa percebi porquê. Porque eu sou “branca”, como eles me chamam na rua. No início fiquei um pouco incomodada admito, mas agora nem sinto que seja algo pejorativo. Na realidade não consigo encontrar maldade nenhuma quando me chamam isso. Isto porque também me chamam “Portuguesa!” e mal eu olho e confirmo, um “Adoro Portugal!” é garantido. Fomos então conhecer o Sr. Zé e o Marcelo, pai e filho, que nos acolheram nesta aventura. Aparentemente fiquei na casa de um senhor que toda a gente aqui admira, ele é muito boa pessoa e ajuda todos os seus amigos, no entanto, era só o pior bairro da Assomada, o que nem contribuiu em nada para o medo de estar ali que eu já sentia. E para me tranquilizar, o senhor ainda disse “Tens que chegar a casa antes de anoitecer, aqui é perigoso para ti e podem-te assaltar”. Depois deste misto de emoções de entusiasmo com receio, ele levou-nos a jantar a casa do seu irmão para conhecer toda a família. Eles cantavam orações quando chegámos, mas quando terminaram, vieram todos dar-me um beijinho e receberam-me como se eu fosse dali. Senti-me rapidamente em casa. Parecia que de repente a minha mãe tinha aparecido porque a única coisa que eu ouvia era “Come isto, come aquilo, já experimentaste isto?”. Óbvio que provei o prato mais típico do país, cachupa. Era muito sabi! Sabi? Sabi é delicioso, sabi é um adjetivo que dá para tudo o que for bom, foi o que eu aprendi. Ah e novidade da primeira noite? Matei a minha primeira barata! Estou muito orgulhosa de mim, antes de vir para cá simplesmente fugia e gritava pelo meu pai para matar todo o tipo de bicho que me atravessasse à frente. Era muito corajosa portanto.

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No dia a seguir, após acordar fui tomar banho para o meu primeiro dia no liceu. Mas nunca mais vem a água quente porquê? Depois lembrei-me! Não há água quente claro, já me tinha esquecido! Mas não faz mal, pelo menos temos água, há gente aqui que nem isso tem, e até é bom para acordar, não te queixes. Acabadinhos de chegar ao destino, onde estão os voluntários cabo-verdianos que nos iam ajudar?  Como assim não conhecemos as crianças, nunca demos aulas na vida, não fazemos a mínima ideia como isto se faz e estamos sozinhos nisto? Pronto, é o que é e temos de nos desenrascar com o que temos. Uma criança apareceu, entretanto apareceu outra e outra e já eram 10. Mas não íamos ter 30? Disseram-nos que eram 30, mas pronto. A primeira aula foi só para nos conhecermos, mas mal eu sabia que quem me ia salvar daquele desconhecido eram elas. Eu perguntei o que iam fazer à tarde e se gostariam de nos mostrar a Assomada. Muito entusiasmados disseram logo que sim! A tarde foi incrível, os miúdos espetaculares e por onde eu passava recebia sorrisos. A verdade é que a minha função era apenas dar aulas das 10 às 12h30, mas e depois? O que é que fazíamos de tarde? Isto fica no meio do nada e o melhor plano parece-me sempre estar com eles, com os meus meninos.

Os dias vão passando e a rotina formou-se: acordar às 7h, ir às 8h para o café – porque é o único sítio aqui com wi-fi grátis, sim nós temos que pagar para ter internet porque não há cá internet de borla em casa, na escola, no trabalho, em lado nenhum menos aqui, no Pão Quente -, preparar a aula e às 10h lá estamos nós no liceu prontos para começar a aula. A seguir à aula? O mata – algo que eu já não jogava há cerca de dez anos porque era o meu jogo de eleição na escola primária –, um jogo de basquetebol ou futebol, e claro põe-se a questão do dia “Qual vai ser o penteado que vamos fazer para a Catarina hoje?”. Ir a casa almoçar a comidinha da Vera, a empregada lá de casa que é muito querida e faz as refeições mais deliciosas do mundo, e à tarde voltar para brincar às escondidas, ir à cruz, subir o monte, ir à Boa Entrada ou à relva. A Boa Entrada é uma pequena terra aqui ao lado que é famosa por ter a maior árvore de Cabo Verde. E é como uma mercearia ao ar livre, os miúdos sobem às arvores para me darem a experimentar mangas, bananas, cocos, tiram cenouras da terra e tudo. Há também muitos animais, porcos, vacas, cabras. Por outro lado, a relva é uma espécie de estádio do Sporting meio construído que tem um campo de futebol gigante com algumas bancadas à volta. Ah e as crianças! Lembram-se de eu ter dito que eram dez no início? Eu não sei o que aconteceu, mas esta semana batemos o recorde! Somo 39! E também há miúdos novos todos os dias, o que é engraçado. Eles disseram que iam convidar os primos, os irmãos e os amigos para vir para a “Colónia de Férias do Liceu Amílcar Cabral” como lhe chamam. Mas nunca pensei que fossem mesmo, isto significa que estão a gostar certo?”

Catarina Anjos 2

E foi este o início da experiência da Catarina. Estás curioso por saber mais? Continua atento ao nosso blogue e Aventura-te connosco!

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