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18 Dezembro 2018
Um Natal em Moçambique

A Daniela Neto teve a oportunidade de, aos 23 anos, passar o Natal em Moçambique. Foi um Natal repleto de sorrisos, abraços e alegria! Caso queiras conhecer esta experiência, continua a ler este artigo!

“Era 2012, vivia em Moçambique e, nesse ano, fiquei para passar o Natal neste meu novo país.

Enquanto a família me mandava, desde Portugal, fotos de árvores de natal, ruas brancas e frias, agora enfeitadas pelas luzes quentes desta época, presépios encantados e presentes – muitos presentes -, eu e o meu amigo Pedro trilhávamos as ruas de Maputo, usando um carro emprestado, parando de porta em porta de amigos para receber as roupas, livros, brinquedos, lápis e tudo o que já não lhes servisse naquele Natal.

Dezembro é um dos meses mais quentes do ano em Moçambique e, para quem se habituou a passar este mês com o cheiro do fumo das lareiras a passear-se pelas ruas, os jingles natalícios a entrarem-nos pela casa, as montras decoradas com neve feita de algodão e as mantas que nos seguem a cobrir-nos as costas quando nos movemos da sala para o quarto, torna-se mais difícil sentir que é Natal!

Mas de peito cheio e com um coração que se engrandece sempre nestes dias, decidimos passar o dia 25 de Dezembro num orfanato. O entusiasmo era tão grande que, na azáfama das recolhas que fazíamos de carro no dia 24, ao pegar num saco mais pesado que eu, dei um jeito às costas tão grande que passei boa parte da consoada no hospital. Nada que impedisse que o dia seguinte fosse passado com 2 crianças, no mínimo, de cada vez penduradas ao meu pescoço e empoleiradas nas minhas costas.

 

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Éramos 4 – Eu, o Pedro, a Paola, e o Rodrigo – um rapaz que tínhamos conhecido uns dias antes e que estava em Moçambique a fazer reportagens.

Quando chegámos à Casa da Alegria, fomos recebidos pelas crianças que se vestiam de sorrisos e que, como adornos, traziam as suas canções e danças.

Estávamos desejosos de lhes dar tudo o que tínhamos reunido, queríamos ver as suas caras de alegria, mas as regras eram diferentes do que esperávamos: para que não houvesse distinção, as doações não eram entregues diretamente aos meninos, senão às freiras responsáveis que depois se encarregariam de as distribuir. No início, confesso, que tive uma sensação estranha de “ir com as mãos a abanar”. Era, afinal, uma sensação só de quem, naquele momento, não conseguia ver com o coração. Os presentes que nos pediam eram feitos de abraços e beijos, de ternura, de afeto e de Amor! E, isso, tínhamos de sobra.

 

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Num mundo em que dar se tornou sinónimo de compras e bens, esquecemo-nos que só estamos a dar de verdade quando damos de nós, quando nos sai da alma e do peito.

Quando o Natal tinha tudo para perder a sua essência, por estar num país quente e húmido, sem ruas enfeitadas, jingles a entrarem-me pela casa, lareiras acesas e shoppings repletos de gente a fazer compras de última hora, percebi que natal é amor, partilha, bondade e esperança.”

 

Texto escrito por Daniela Neto

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17 Dezembro 2018
Um Natal com vista para o mar

Já imaginaste passar o Natal fora de casa? Como será essa experiência? Quais serão as tradições e costumes de outros países? Hoje partilhamos o testemunho da Isadora Freitas que, no ano passado, celebrou o Natal no Camboja. Queres descobrir tudo sobre esta experiência? Então continua a ler!

“Estava em Siem Reap, envolta em mil e um projetos, quando o Natal, desenvolto e com desvelo, se aproximou. Dezembro arrumou, em silêncio, Novembro e, sem se anunciar no termómetro, apropriou-se do calendário. Sim, estava no Camboja, um país maioritariamente Budista, quando, tardiamente, o Natal me assaltou os sentidos. Desenganem-se os que pensam que o espírito natalício surge apenas em lugares onde há já alguma magia latente. Ali, naquela cidade de templos e gente de braços abertos, fez-se palpável num supermercado onde um Pai Natal de dimensões generosas e uma árvore timidamente decorada saudavam quem passava junto ao corredor dos vegetais. Lembro-me de abrir os olhos de espanto na sua direcção e depressa os fechar. A música que ecoava por entre as batatas e as abóboras era a It’s beginning to look a lot like Christmas.

Fugi dos vegetais – como fogem as crianças – rumo à minha bicicleta vermelha e olhei à volta. Era Natal. Num país em que as luzes cintilam do alto de palmeiras e não de pinheiros, onde a neve é um devaneio cinematográfico e o Pai Natal se passeia de óculos escuros. Ainda assim, era Natal.

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Aos poucos, comecei a preparar-me para o passar sozinha, talvez a perambular pelas ruas de Siem Reap, de corpo exposto ao calor para que a Alma não se aventurasse em territórios da Saudade. Recebi, porém, uma mensagem que anunciava uma visita improvável – a de um amigo de infância com quem não cruzava caminho há mais de uma década.

Chegou, crescido, e juntos partimos num desaconchegado autocarro nocturno rumo a Sihanoukville, uma cidade costeira no sul de onde vogaríamos até à pequena ilha de Koh Rong Samloem. Tudo porque pensei que não haveria melhor forma de enganar o espírito do que a de estar na praia nos dias em que, no ninho, o frio é sinónimo de calor.

Ali, naquela pequena aldeia piscatória, o pinheiro era feito de latas de cerveja que uma rapariga de cabelos ruivos pintou, com esmero, de verde reluzente – como o Natal deve ser. Na noite de 24, em vez de bacalhau, serviram-se noodles e arroz frito. O vinho do Porto foi substituído por cerveja e a família por amigos que, horas antes, eram completos estranhos.

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Ali, com os pés na areia e os cabelos salgados, passámos um Natal que não soube a Natal. Um Natal com panquecas ao pequeno-almoço, caminhadas ousadas pela selva, pratos picantes em refúgios junto à água, bonecos feitos de areia e não de neve. Um Natal longe da azáfama das compras e dos afazeres culinários. Um Natal tão diferente e tão próximo da essência da época – simples, cúmplice, feliz.

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Hoje, de novo longe do porto que é o solo luso, Dezembro voltou a aproximar-se sem fazer frio, de mansinho. Só que, desta vez, com ele surgiu também o anúncio de um regresso. Um retorno a casa para passar o Natal junto daqueles que, mesmo no Inverno, emanam calor.”

 

Texto escrito por Isadora Freitas

 

 

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7 Novembro 2018
Uma experiência em Cabo Verde

A Catarina Anjos, em parceria com a AIESEC, partiu numa aventura de voluntariado em Cabo Verde e contou toda a sua experiência para o nosso blogue. No artigo de hoje, vais poder descobrir a primeira parte do seu testemunho. Queres saber tudo sobre a sua viagem? Continua a ler!

“Como está a correr a experiência que está a mudar completamente a minha vida? Que pergunta tão ambígua para escrever numa dúzia de linhas. Acho que vou começar pelo início.

Aterrei na Praia, em Cabo Verde e as minhas primeiras impressões foram: Porque é que estamos a ir cinco pessoas num táxi, sendo que todos temos malas de bagagem gigantes em cima de nós? Porque é que este táxi não tem cintos de segurança? Porque é que os semáforos vermelhos são verdes? Porque é que está uma vaca no meio de uma rotunda? Porque é que não há sinais de trânsito? Porque é que não há limites de velocidade? Pronto, já parei, mas podia continuar aqui durante horas a perguntar porque é que existem tantas coisas neste país que não fazem sentido.

Primeiro dia em Cabo Verde, primeira vez que dormi com mais 14 pessoas numa casa equipada para apenas duas. Mas isso era o menos preocupante para o que vinha a seguir. No dia seguinte, fomos para a Assomada, a “cidade” onde ia de facto trabalhar com o meu namorado, mais precisamente, no Liceu Amílcar Cabral. Pagámos apenas 5€ de táxi por uma viagem de uma hora e meia. Vou passar a reclamar quando me pedirem mais que isso só para ir do Cais do Sodré até minha casa. Mas confesso que mal cheguei a esta cidade, senti muito medo. Eu era diferente, era como uma estrela, porque todos olhavam para mim, como se eu fosse do outro mundo. Muito depressa percebi porquê. Porque eu sou “branca”, como eles me chamam na rua. No início fiquei um pouco incomodada admito, mas agora nem sinto que seja algo pejorativo. Na realidade não consigo encontrar maldade nenhuma quando me chamam isso. Isto porque também me chamam “Portuguesa!” e mal eu olho e confirmo, um “Adoro Portugal!” é garantido. Fomos então conhecer o Sr. Zé e o Marcelo, pai e filho, que nos acolheram nesta aventura. Aparentemente fiquei na casa de um senhor que toda a gente aqui admira, ele é muito boa pessoa e ajuda todos os seus amigos, no entanto, era só o pior bairro da Assomada, o que nem contribuiu em nada para o medo de estar ali que eu já sentia. E para me tranquilizar, o senhor ainda disse “Tens que chegar a casa antes de anoitecer, aqui é perigoso para ti e podem-te assaltar”. Depois deste misto de emoções de entusiasmo com receio, ele levou-nos a jantar a casa do seu irmão para conhecer toda a família. Eles cantavam orações quando chegámos, mas quando terminaram, vieram todos dar-me um beijinho e receberam-me como se eu fosse dali. Senti-me rapidamente em casa. Parecia que de repente a minha mãe tinha aparecido porque a única coisa que eu ouvia era “Come isto, come aquilo, já experimentaste isto?”. Óbvio que provei o prato mais típico do país, cachupa. Era muito sabi! Sabi? Sabi é delicioso, sabi é um adjetivo que dá para tudo o que for bom, foi o que eu aprendi. Ah e novidade da primeira noite? Matei a minha primeira barata! Estou muito orgulhosa de mim, antes de vir para cá simplesmente fugia e gritava pelo meu pai para matar todo o tipo de bicho que me atravessasse à frente. Era muito corajosa portanto.

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No dia a seguir, após acordar fui tomar banho para o meu primeiro dia no liceu. Mas nunca mais vem a água quente porquê? Depois lembrei-me! Não há água quente claro, já me tinha esquecido! Mas não faz mal, pelo menos temos água, há gente aqui que nem isso tem, e até é bom para acordar, não te queixes. Acabadinhos de chegar ao destino, onde estão os voluntários cabo-verdianos que nos iam ajudar?  Como assim não conhecemos as crianças, nunca demos aulas na vida, não fazemos a mínima ideia como isto se faz e estamos sozinhos nisto? Pronto, é o que é e temos de nos desenrascar com o que temos. Uma criança apareceu, entretanto apareceu outra e outra e já eram 10. Mas não íamos ter 30? Disseram-nos que eram 30, mas pronto. A primeira aula foi só para nos conhecermos, mas mal eu sabia que quem me ia salvar daquele desconhecido eram elas. Eu perguntei o que iam fazer à tarde e se gostariam de nos mostrar a Assomada. Muito entusiasmados disseram logo que sim! A tarde foi incrível, os miúdos espetaculares e por onde eu passava recebia sorrisos. A verdade é que a minha função era apenas dar aulas das 10 às 12h30, mas e depois? O que é que fazíamos de tarde? Isto fica no meio do nada e o melhor plano parece-me sempre estar com eles, com os meus meninos.

Os dias vão passando e a rotina formou-se: acordar às 7h, ir às 8h para o café – porque é o único sítio aqui com wi-fi grátis, sim nós temos que pagar para ter internet porque não há cá internet de borla em casa, na escola, no trabalho, em lado nenhum menos aqui, no Pão Quente -, preparar a aula e às 10h lá estamos nós no liceu prontos para começar a aula. A seguir à aula? O mata – algo que eu já não jogava há cerca de dez anos porque era o meu jogo de eleição na escola primária –, um jogo de basquetebol ou futebol, e claro põe-se a questão do dia “Qual vai ser o penteado que vamos fazer para a Catarina hoje?”. Ir a casa almoçar a comidinha da Vera, a empregada lá de casa que é muito querida e faz as refeições mais deliciosas do mundo, e à tarde voltar para brincar às escondidas, ir à cruz, subir o monte, ir à Boa Entrada ou à relva. A Boa Entrada é uma pequena terra aqui ao lado que é famosa por ter a maior árvore de Cabo Verde. E é como uma mercearia ao ar livre, os miúdos sobem às arvores para me darem a experimentar mangas, bananas, cocos, tiram cenouras da terra e tudo. Há também muitos animais, porcos, vacas, cabras. Por outro lado, a relva é uma espécie de estádio do Sporting meio construído que tem um campo de futebol gigante com algumas bancadas à volta. Ah e as crianças! Lembram-se de eu ter dito que eram dez no início? Eu não sei o que aconteceu, mas esta semana batemos o recorde! Somo 39! E também há miúdos novos todos os dias, o que é engraçado. Eles disseram que iam convidar os primos, os irmãos e os amigos para vir para a “Colónia de Férias do Liceu Amílcar Cabral” como lhe chamam. Mas nunca pensei que fossem mesmo, isto significa que estão a gostar certo?”

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E foi este o início da experiência da Catarina. Estás curioso por saber mais? Continua atento ao nosso blogue e Aventura-te connosco!

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