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17 Dezembro 2018
Um Natal com vista para o mar

Já imaginaste passar o Natal fora de casa? Como será essa experiência? Quais serão as tradições e costumes de outros países? Hoje partilhamos o testemunho da Isadora Freitas que, no ano passado, celebrou o Natal no Camboja. Queres descobrir tudo sobre esta experiência? Então continua a ler!

“Estava em Siem Reap, envolta em mil e um projetos, quando o Natal, desenvolto e com desvelo, se aproximou. Dezembro arrumou, em silêncio, Novembro e, sem se anunciar no termómetro, apropriou-se do calendário. Sim, estava no Camboja, um país maioritariamente Budista, quando, tardiamente, o Natal me assaltou os sentidos. Desenganem-se os que pensam que o espírito natalício surge apenas em lugares onde há já alguma magia latente. Ali, naquela cidade de templos e gente de braços abertos, fez-se palpável num supermercado onde um Pai Natal de dimensões generosas e uma árvore timidamente decorada saudavam quem passava junto ao corredor dos vegetais. Lembro-me de abrir os olhos de espanto na sua direcção e depressa os fechar. A música que ecoava por entre as batatas e as abóboras era a It’s beginning to look a lot like Christmas.

Fugi dos vegetais – como fogem as crianças – rumo à minha bicicleta vermelha e olhei à volta. Era Natal. Num país em que as luzes cintilam do alto de palmeiras e não de pinheiros, onde a neve é um devaneio cinematográfico e o Pai Natal se passeia de óculos escuros. Ainda assim, era Natal.

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Aos poucos, comecei a preparar-me para o passar sozinha, talvez a perambular pelas ruas de Siem Reap, de corpo exposto ao calor para que a Alma não se aventurasse em territórios da Saudade. Recebi, porém, uma mensagem que anunciava uma visita improvável – a de um amigo de infância com quem não cruzava caminho há mais de uma década.

Chegou, crescido, e juntos partimos num desaconchegado autocarro nocturno rumo a Sihanoukville, uma cidade costeira no sul de onde vogaríamos até à pequena ilha de Koh Rong Samloem. Tudo porque pensei que não haveria melhor forma de enganar o espírito do que a de estar na praia nos dias em que, no ninho, o frio é sinónimo de calor.

Ali, naquela pequena aldeia piscatória, o pinheiro era feito de latas de cerveja que uma rapariga de cabelos ruivos pintou, com esmero, de verde reluzente – como o Natal deve ser. Na noite de 24, em vez de bacalhau, serviram-se noodles e arroz frito. O vinho do Porto foi substituído por cerveja e a família por amigos que, horas antes, eram completos estranhos.

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Ali, com os pés na areia e os cabelos salgados, passámos um Natal que não soube a Natal. Um Natal com panquecas ao pequeno-almoço, caminhadas ousadas pela selva, pratos picantes em refúgios junto à água, bonecos feitos de areia e não de neve. Um Natal longe da azáfama das compras e dos afazeres culinários. Um Natal tão diferente e tão próximo da essência da época – simples, cúmplice, feliz.

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Hoje, de novo longe do porto que é o solo luso, Dezembro voltou a aproximar-se sem fazer frio, de mansinho. Só que, desta vez, com ele surgiu também o anúncio de um regresso. Um retorno a casa para passar o Natal junto daqueles que, mesmo no Inverno, emanam calor.”

 

Texto escrito por Isadora Freitas

 

 

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